Afinal, o que é um carro popular?

12/03/2018

Você já parou para pensar que o conceito de carro popular vem se transformando ao longo do tempo? Esse modelo precisou se adaptar para atender o consumidor, para se encaixar nos padrões governamentais e também servir para que montadoras conseguissem alavancar suas vendas.

Neste post você vai descobrir informações e curiosidades sobre essa linha de veículos que fez história no mundo e teve casos tão particulares no Brasil. Acompanhe e aproveite a leitura!

Características marcantes do carro popular

O carro popular tem como marca incondicional a motorização menor, o conhecido 1.0. Isso porque o Governo Federal diminuiu o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para veículos dessa potência no ano de 1990. Essa foi uma forma de tornar o carro mais barato e, consequentemente, popular.

Outras condições marcantes desse tipo de automóvel são os pneus menores de aro 13 e que contam com medidas de 175 ou 165 justamente para não pesar na tração do motor menos potente.

Para que eles pudessem ter um custo menor por parte das montadoras, há menos itens de fábrica instalados do que outros tipos de carro. Uma outra regra é que eles precisam ter somente duas portas, motor biocombustível e estar disponível na versão hatch.

Contexto histórico

Esse tipo de modelo surgiu com o advento da produção em série —, implantada pelo Fordismo — e carregava como conceito principal ser o veículo que o próprio operário que o fabricasse pudesse comprar.

Conforme estudos, a proposta era que o carro fosse feito para as grandes multidões. Quanto mais venda, mais a produção em larga escala obteria sucesso e a montadora teria capacidade de garantir mais lucro.

Pesquisas apontam, inclusive, que o Brasil teve certo isolamento nesse conceito e a categoria não teve precedentes em outras partes do mundo. No país, a categoria somente começou a surgir com força por conta do incentivo governamental, como dito anteriormente.

Esse tipo de carro carrega o peso de ser uma opção mais barata e que permite o cumprimento da meta de atender a uma função social e coroar o sonho para quem sempre quis um veículo, mas não tem tanto dinheiro para comprá-lo.

A partir de uma visão de mercado, o modelo também serve de chamariz para aproximar os consumidores de uma marca para — quem sabe — levar a outros produtos e carros que sejam de um patamar mais caro.

Entre 1990 e 1994 o mercado só cresceu. Depois, a partir de 1996, os populares passaram a ter opcionais e serem modernizados. Esse advento seguiu até 2001, quando o mercado se abriu para outras montadoras — além de Ford, Chevrolet, Fiat e Volkswagen — e a proposta de carro popular passou a ser alterada para modelos mais completos.

Os primeiros carros populares

A partir da proposta de Henry Ford no método de produzir carros, o Ford T — ou Ford Bigode, como era chamado por aqui — é considerado o primeiro carro popular do mundo.

Esse modelo era feito em série na linha de montagem com o uso de máquinas — o que fez os custos baixarem. Isso refletiu no preço de venda, que se tornou mais acessível para os padrões da época.

Ano a ano, a partir de 1913, a Ford Motor Company conseguiu reduzir custos e ainda promoveu uma revolução no mercado de trabalho por pagar melhor os funcionários e atrair engenheiros mais especializados para aplicar modernizações. Em 1918, quase metade da frota de veículos dos Estados Unidos era do Ford T.

No Brasil, o Mille, da Fiat, foi o primeiro a entrar na proposta do Governo Federal em 1990 para produzir carros até 1.0 e serem reconhecidos como populares. O sucesso foi tanto que 45% da produção do Uno foi do modelo no início dos anos 90.

Logo depois surgiu o Gol 1000, que conseguiu um bom espaço no mercado. A Ford teve o Escort Hobby, que infelizmente se perdeu com o tempo.

A Chevrolet lançou primeiro o Chevette Júnior em 1992 mas a versão não deu certo e a principal reclamação era de que o carro apresentava um desempenho fraco — em parte por conta da tração traseira. A empresa deu a volta por cima com o Corsa em 1994, que tinha mais itens que todos os outros modelos da concorrência já presentes no mercado.

Antes disso, ainda na década de 1960, a montadora Gordini ofereceu o modelo Teimoso, uma versão da marca que foi despedida de vários itens para ser barato para os brasileiros.

Categoria que impulsionou mercado

O incentivo dado no Brasil para a popularização dos modelos de automóveis foi oferecida com um corte de 50% no imposto incidido nas montadoras para justamente tentar renovar a frota, que até então envelhecida por conta do período fechado para importações e sucessivas crises financeiras.

Nos anos 1980 houve estagnação do mercado e o país ficou muito atrás de Europa e Estados Unidos na questão tecnológica. No Brasil, o que permanecia era somente os carros que saíam de linha e uma ou outra novidade mundial — mas nada de um modelo que fosse popular.

Além disso, o carro popular tinha um consumo de combustível menor por conta de seu motor. Esse foi um fator importante para a popularização do modelo por conta da crise do petróleo, que deixou inviável manter modelos como Landau, Charger e Maverick, grandes “beberrões” com seus seis e oito cilindros.

O projeto deu tanto resultado que nos anos 2000, sete em cada dez carros vendidos no Brasil eram populares, situação muito peculiar no mundo.

A mudança de popular para “premium”

O luxo que ficava de lado no carro popular dos anos 1990 até os 2000 começou a ser cobrado pelo consumidor. O mercado também abriu espaço para que outras empresas brigassem por uma fatia desses consumidores e Toyota, Honda, Renault, Citroën passaram a buscar isso.

Outro fator que contribuiu para declinar a popularização dos modelos mais populares foi a tributação que deixou de ser tão atraente para as montadoras porque simplesmente não existiam nos mesmos moldes.

A exigência de requisitos de segurança por parte do Governo Federal também passou a fazer com que os carros precisassem ser reinventados. Um exemplo claro dessa condição foi o Uno, da Fiat. O modelo antigo que fez bastante sucesso acabou extinto em 2013 porque sua carroceria não aceitava os novos itens facilmente e a montadora preferiu trocar tudo.

O ar condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas precisavam ser de linha e não mais opcionais. Por tudo isso, o carro popular mudou seu perfil e essas exigências também fizeram com que o preço passasse a mudar da faixa conhecida como popular.

Essa história de vida do carro popular serve de curiosidade, mas também é muito válida para quem tem intenção de comprar ou vender um automóvel. Afinal, os modelos ainda são os “queridinhos” do mercado.

E aí, gostou do assunto do post? Então aproveite o que aprendeu aqui e compartilhe nas redes sociais com todos os seus amigos!

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *