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GM anuncia corte de 1.750 empregos em divisão de veículos elétricos

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Corte afeta fábricas nos EUA após fim de incentivo fiscal e queda na demanda por veículos elétricos; montadora reajusta plano industrial e acende alerta no setor

A General Motors (GM) anunciou nesta semana que vai demitir 1.750 funcionários de forma permanente e suspender temporariamente outros 1.670 postos de trabalho em suas fábricas nos Estados Unidos, como parte de uma reestruturação em sua operação de veículos elétricos (EVs).

A medida foi tomada após a queda imediata na procura por modelos elétricos, reflexo direto do fim de um importante incentivo federal: o crédito tributário de US$ 7.500 para compra ou leasing de EVs, que expirou em 30 de setembro. A montadora alegou que está “realinhando a capacidade de produção de veículos elétricos” em resposta à desaceleração na adoção desses modelos e às mudanças no ambiente regulatório.

As demissões devem atingir unidades em três estados norte-americanos: Michigan, Ohio e Tennessee. A fábrica chamada Factory Zero, em Detroit, será fechada até 5 de janeiro de 2026. Quando reabrir, operará com apenas um turno, reduzindo drasticamente a equipe e resultando em cerca de 1.200 cortes permanentes.

Além disso, duas fábricas de baterias geridas pela Ultium Cells, uma joint venture entre GM e LG Energy Solution, também terão produção interrompida. Em Ohio, 550 empregados serão desligados em caráter definitivo, enquanto 850 terão contratos suspensos temporariamente. Já no Tennessee, 700 funcionários serão afastados por tempo indeterminado. Outras fábricas de autopeças e estamparia em Michigan também sofrerão cortes menores.

Em paralelo, a GM eliminou 200 cargos administrativos em seu centro técnico em Warren, Michigan, e fechou um centro de tecnologia da informação na Geórgia, com mais 300 demissões.

Por que a GM está recuando nos elétricos?

A decisão reflete uma desaceleração mais ampla no mercado de EVs. A demanda por veículos elétricos vinha enfraquecendo nos últimos meses, mas o fim do subsídio federal aprofundou ainda mais a retração. Isso elevou o custo efetivo para o consumidor, tornando os EVs menos competitivos frente aos modelos a combustão ou híbridos.

Além disso, a GM registrou uma provisão extraordinária de US$ 1,6 bilhão para ajustar o valor contábil de suas fábricas de elétricos e cobrir custos de demissões e rescisões com fornecedores.

Outros fabricantes também estão adotando medidas semelhantes: a Rivian anunciou 600 demissões recentemente, e a Volkswagen suspenderá temporariamente a produção do SUV elétrico ID.4 em sua planta no Tennessee.

Impactos para o Brasil e o setor automotivo

Embora este movimento esteja concentrado nos EUA, seus efeitos podem repercutir globalmente. O Brasil, que ainda avança lentamente na eletrificação da frota, deve acompanhar com atenção os desdobramentos, sobretudo quanto ao apetite das montadoras por novos investimentos em elétricos na região.

A retração da GM pode impactar planos de lançamento, investimentos em fábricas ou mesmo a chegada de novos modelos elétricos importados. Além disso, reforça os desafios da transição para eletrificados: infraestrutura de carregamento ainda limitada, preços elevados, dependência de incentivos e incerteza regulatória.

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