Campanha nos Estados Unidos envolve 179.698 unidades dos modelos 2024 a 2026 e trata de parafusos do ajuste de altura dos bancos dianteiros, que podem se soltar com o tempo e reduzir a capacidade de retenção dos ocupantes em caso de colisão, segundo a NHTSA
A Ford abriu nos Estados Unidos um recall para 179.698 unidades da Ranger e do Bronco por uma falha nos bancos dianteiros. O chamado envolve veículos dos anos-modelo 2024, 2025 e 2026, equipados com parafusos do sistema de ajuste de altura que podem se soltar ou se deslocar da estrutura do assento. A campanha foi registrada pela NHTSA, órgão norte-americano de segurança viária, sob o número 26V268. Na Ford, o código interno da ação é 26S30.
O problema não está ligado ao revestimento, à espuma ou aos comandos elétricos do banco, mas a um componente estrutural. Segundo a documentação do recall, um ou mais parafusos da articulação do ajuste de altura da estrutura dos bancos dianteiros podem afrouxar com o uso. Caso o parafuso se solte da junta, o assento pode não cumprir corretamente sua função de reter o ocupante em uma colisão, aumentando o risco de ferimentos.
A campanha afeta 117.443 unidades do Ford Bronco e 62.255 unidades da Ford Ranger nos Estados Unidos. Os veículos envolvidos foram produzidos entre 1º de novembro de 2024 e 1º de outubro de 2025, mas a aplicação do chamado depende do chassi, já que os modelos não foram fabricados em ordem sequencial de VIN. Por isso, a confirmação individual deve ser feita pelos canais oficiais da marca ou pela base da NHTSA.
Qual é o problema nos bancos da Ranger e do Bronco
O defeito está concentrado no conjunto de articulação do ajuste de altura dos bancos dianteiros. Essa peça faz parte da estrutura que permite alterar a posição do assento em relação ao assoalho do veículo. Em condições normais, o conjunto precisa manter rigidez suficiente para preservar a posição do banco e resistir aos esforços aplicados em frenagens, impactos e colisões.
No caso dos veículos chamados, a Ford identificou a possibilidade de o parafuso da articulação perder aperto ao longo do tempo. A documentação enviada à NHTSA informa que o problema pode ocorrer em um ou nos dois bancos dianteiros. Se o parafuso sair do ponto de fixação, há risco de perda de integridade da estrutura do assento em uma situação de impacto.
A falha chama atenção porque envolve um componente de segurança passiva. O banco trabalha em conjunto com cinto de segurança, airbags e estrutura da carroceria para manter o ocupante em posição adequada durante uma batida. Mesmo quando o defeito não interfere no funcionamento cotidiano do veículo, qualquer variação na fixação do assento pode alterar a forma como o corpo é retido em uma colisão.
Segundo a NHTSA, um banco com parafuso deslocado pode não reter adequadamente o ocupante durante um acidente. Essa é a razão técnica para o recall, e não apenas a possibilidade de ruído ou desconforto no uso diário. A Ford informa que os proprietários podem perceber sinais como rangidos, folgas ou barulhos vindos dos bancos.
Quantos veículos estão envolvidos no recall
O volume total da campanha é de 179.698 veículos nos Estados Unidos. O Bronco responde pela maior parte do chamado, com 117.443 unidades potencialmente afetadas. Dentro desse total, a documentação aponta 25.704 unidades do ano-modelo 2024, 91.669 unidades do ano-modelo 2025 e 70 unidades do ano-modelo 2026.
No caso da Ranger, o recall envolve 62.255 unidades. A divisão por ano-modelo inclui 12.289 unidades 2024, 49.916 unidades 2025 e 50 unidades 2026. A concentração em veículos 2025 indica que o problema está ligado a um período específico de produção e fornecimento das peças, não a toda a trajetória comercial recente dos dois modelos.
A NHTSA informa que a estimativa de veículos com defeito é de 7% da população envolvida. Mesmo assim, o recall alcança todo o lote potencialmente afetado, como ocorre em campanhas de segurança quando não é possível identificar de maneira visual ou preventiva, sem inspeção, quais unidades carregam de fato a falha.
O documento também aponta que os veículos afetados foram produzidos entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Essa janela de fabricação é relevante porque ajuda a separar os modelos chamados de unidades fora do período monitorado. Para o consumidor, porém, a informação mais importante continua sendo a consulta pelo número do chassi.
O que causou a falha nos parafusos
A origem do problema está no processo de montagem da estrutura dos bancos. Segundo a documentação do recall, o fornecedor do conjunto iniciou uma verificação de torque nos parafusos da articulação do ajuste de altura dos bancos dianteiros. Essa etapa, feita antes da cura completa do adesivo aplicado à rosca do fixador, comprometeu a eficácia desse material.
Na prática, o adesivo de rosca ajuda a manter o parafuso preso no ponto correto. Quando a cura não ocorre de forma adequada, o fixador pode perder resistência ao afrouxamento. A Ford informou à NHTSA que vibrações causadas pelo uso normal do veículo e pelas irregularidades do piso podem reduzir o torque de soltura, permitindo que o parafuso afrouxe com o tempo.
O fornecedor listado no relatório é a Magna Seating Inc., responsável por componentes do conjunto de bancos. As peças envolvidas incluem links dianteiros de ajuste de altura, com componentes para os lados direito e esquerdo. A campanha prevê a inspeção dos dois bancos dianteiros, justamente porque a falha pode aparecer em qualquer um dos lados.
A Ford afirma ter identificado 60 reclamações em garantia e um relatório de campo relacionados ao problema, representando 59 VINs únicos. Os registros foram recebidos entre 2 de junho de 2025 e 27 de março de 2026. Até a publicação da documentação, a fabricante informou não ter conhecimento de acidentes ou feridos associados à condição.
Como será feito o reparo
O reparo será feito gratuitamente nas concessionárias Ford ou Lincoln nos Estados Unidos. O procedimento prevê a remoção dos dois bancos dianteiros para inspeção dos parafusos da articulação do ajuste de altura. Caso algum componente não seja aprovado na verificação, a concessionária substituirá os links de ajuste de altura e os respectivos parafusos.
A solução definitiva envolve a instalação de componentes que atendam às especificações corretas de torque. Ou seja, a campanha não se limita a reapertar o parafuso sem avaliação. A inspeção determina se há necessidade de substituição das peças ligadas ao mecanismo de ajuste.
As concessionárias começaram a ser notificadas entre 29 de abril e 1º de maio de 2026. As cartas iniciais aos proprietários, informando o risco de segurança, estavam previstas para serem enviadas entre 11 e 15 de maio de 2026. Já a comunicação com a solução definitiva está programada para o período entre 13 e 17 de julho de 2026, segundo o cronograma registrado na NHTSA.
Enquanto a solução final não é enviada aos proprietários, a recomendação prática é verificar a situação do veículo pelo chassi nos canais oficiais. Nos Estados Unidos, os VINs envolvidos ficaram pesquisáveis a partir de 30 de abril de 2026. A Ford também disponibilizou o atendimento ao cliente pelo telefone 1-866-436-7332 para dúvidas sobre a campanha.
Há sinais perceptíveis antes do reparo?
A Ford informa que veículos com a condição podem apresentar rangidos, folga ou ruídos nos bancos dianteiros. Esses sinais não substituem a consulta oficial pelo chassi, mas ajudam o proprietário a identificar um possível sintoma relacionado ao problema.
Rangidos e pequenos ruídos em bancos podem ter várias origens em um veículo, incluindo trilhos, acabamentos, encaixes plásticos e mecanismos de regulagem. Neste recall, porém, o ponto crítico está na articulação do ajuste de altura da estrutura do banco. Por isso, qualquer sensação de banco frouxo, movimento anormal ou barulho recorrente vindo da base do assento merece verificação em concessionária.
O risco principal aparece em caso de colisão. Durante o uso normal, o motorista pode não perceber alteração relevante no comportamento do veículo. O banco pode continuar ajustando altura e posição, dando a impressão de funcionamento regular. O recall existe porque a peça precisa manter sua resistência estrutural em situação de impacto, quando as cargas aplicadas ao conjunto são muito superiores às do uso cotidiano.
Essa diferença explica por que campanhas de segurança podem envolver veículos que não apresentam falha aparente. O proprietário pode não notar nada no dia a dia, mas o defeito ser considerado relevante pela autoridade reguladora e pela fabricante por causa da consequência potencial em uma batida.
Recall envolve Bronco, não Bronco Sport
Um ponto importante para o leitor brasileiro é a nomenclatura. O recall registrado nos Estados Unidos envolve o Ford Bronco, SUV vendido naquele mercado, e a Ford Ranger. No Brasil, a Ford comercializa oficialmente o Bronco Sport, modelo diferente do Bronco citado na campanha norte-americana. A linha brasileira da marca também inclui a Ranger, inclusive em várias versões comerciais e de uso misto.
Até o fechamento desta matéria, a documentação consultada da NHTSA trata da campanha nos Estados Unidos. A página brasileira de recall da Ford permite consulta por chassi e reúne os comunicados nacionais da marca, mas não apresenta, no trecho consultado, essa mesma campanha norte-americana para Ranger e Bronco. Como recalls podem variar por país, fábrica, lote de peças e configuração do veículo, a confirmação para unidades brasileiras deve ser feita nos canais oficiais da Ford Brasil.
No mercado brasileiro, a Ranger tem papel central na operação da Ford desde que a marca encerrou a produção local de automóveis e reorganizou sua presença com foco em importados, picapes, SUVs, comerciais e modelos de maior valor agregado. A picape aparece no site da Ford Brasil em versões XL, XLS, XLT, Limited e Raptor, dependendo da configuração e da aplicação.
A existência de um recall nos Estados Unidos não significa, automaticamente, que a mesma campanha será aplicada no Brasil. A Ranger vendida em diferentes mercados pode ter origem, fornecedores e especificações distintas. O ponto relevante para o consumidor brasileiro é acompanhar os comunicados oficiais e consultar o chassi quando houver dúvida.
Por que recalls de banco são relevantes
Recalls envolvendo bancos nem sempre recebem a mesma atenção de campanhas relacionadas a freios, airbags ou direção, mas também entram no campo da segurança estrutural. O assento não é apenas um item de conforto. Ele define a posição do ocupante em relação ao volante, aos pedais, ao cinto e aos airbags.
Em uma colisão, o banco precisa resistir às forças aplicadas ao corpo do ocupante. Se a estrutura do assento se move de forma irregular, o cinto pode trabalhar em ângulo inadequado, o corpo pode se deslocar além do previsto e os sistemas de retenção podem perder eficiência. Por isso, a NHTSA classifica o problema como risco de aumento de ferimentos em caso de acidente.
No caso da Ranger e do Bronco, a falha está associada ao ajuste de altura, recurso usado para adaptar a posição de dirigir a diferentes biotipos. Embora pareça um mecanismo simples, ele faz parte da arquitetura estrutural do banco. Uma folga nesse conjunto pode ser pouco perceptível em baixa velocidade, mas relevante quando o veículo sofre desaceleração brusca.
A campanha também mostra como processos de fornecedores podem gerar recalls em grande escala. O problema não nasceu de uma nova tecnologia eletrônica, de um software ou de um sistema avançado de assistência à condução. A origem está em uma etapa de montagem e cura de adesivo de rosca, algo mecânico, aparentemente simples, mas com impacto direto na segurança.
O que proprietários devem fazer
Nos Estados Unidos, proprietários de Ranger e Bronco 2024 a 2026 devem consultar o VIN nos canais oficiais da NHTSA ou da Ford. Caso o veículo esteja incluído na campanha, o atendimento será feito sem custo em concessionária autorizada. A inspeção envolve os bancos dianteiros e pode resultar na substituição de links e parafusos do mecanismo de ajuste de altura.
Quem perceber rangidos, folga ou ruídos vindos dos bancos dianteiros deve antecipar o contato com a rede autorizada. Esses sinais não confirmam isoladamente o defeito, mas estão descritos pela Ford como possíveis indícios da condição investigada. A ausência de ruído, por outro lado, não elimina a necessidade de consulta pelo chassi.
Para consumidores no Brasil, a orientação é verificar a página de recall da Ford Brasil e acompanhar comunicados oficiais da marca. A consulta por chassi é o caminho mais seguro, já que evita confusão entre modelos de nomes parecidos, versões importadas por vias independentes e campanhas aplicáveis apenas a determinados países.
O recall da Ranger e do Bronco permanece, neste momento, como uma campanha norte-americana registrada pela NHTSA. O reparo definitivo está previsto para ser comunicado aos proprietários afetados em julho de 2026, enquanto as cartas iniciais sobre o risco começaram a ser enviadas em maio. Até o registro do chamado, a Ford informou não ter conhecimento de acidentes ou feridos ligados ao problema.


