Segmento somou 215 mil unidades no primeiro semestre e bateu novo recorde mensal em junho, segundo a ABVE
De cada 100 veículos leves vendidos no Brasil no primeiro semestre de 2026, 16 foram eletrificados. O dado, divulgado pela ABVE, mostra que o segmento entrou em um novo patamar no mercado nacional.
Entre janeiro e junho, foram 215.023 emplacamentos de veículos leves eletrificados, alta de 125,2% sobre o mesmo período de 2025, quando o volume foi de 95.493 unidades. Só em junho, o mercado registrou 47.579 unidades, novo recorde mensal da série histórica da entidade.
A participação dos eletrificados também avançou. Em junho, esses veículos representaram 18,3% das vendas domésticas de veículos leves no país. No acumulado do primeiro semestre, o market share ficou em 15,8%, arredondado para 16%.
Segundo a ABVE, o avanço indica mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Enquanto o mercado total de veículos leves cresceu cerca de 20% no semestre, os eletrificados avançaram mais de 125% no mesmo período.
Participação mais que dobrou em 12 meses
A evolução do market share ajuda a dimensionar o avanço. Em junho de 2025, os eletrificados representavam 7,7% das vendas de veículos leves no Brasil. Um ano depois, em junho de 2026, chegaram a 18,3%.

A curva ganhou força principalmente a partir do fim de 2025. Em dezembro, a participação já havia chegado a 12,7%. Em janeiro de 2026, subiu para 14,6%. Depois de oscilações em fevereiro e março, o índice voltou a crescer em abril, com 16,2%, avançou para 17% em maio e bateu novo recorde em junho.
Na comparação semestral, o salto também é relevante. A participação dos eletrificados no mercado geral foi de 9,7% no primeiro semestre de 2025, caiu para 7,7% no segundo semestre daquele ano e chegou a 15,8% no primeiro semestre de 2026.
Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE, o crescimento está ligado a fatores como evolução regulatória, expansão da rede de recarga e maior confiança do consumidor. Segundo ele, veículos elétricos e híbridos passaram a ser vistos não apenas como opção sustentável, mas também como alternativa mais eficiente e econômica.
BEV e PHEV puxam crescimento
Os veículos plug-in lideraram as vendas de eletrificados em junho. Somados, os 100% elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV) responderam por 39.344 unidades, o equivalente a 83% do segmento.

Os BEV tiveram 21.138 unidades emplacadas no mês, com 44,4% de participação entre os eletrificados. Os PHEV ficaram logo atrás, com 18.206 unidades e 38,3%.
No acumulado do primeiro semestre, os elétricos puros também lideraram. Foram 90.626 unidades, ou 42,2% do total. Os híbridos plug-in somaram 76.400 emplacamentos, com 35,5%.
Os híbridos convencionais aparecem em seguida. Os HEV registraram 23.919 unidades no semestre, com 11,1% de participação, enquanto os HEV Flex somaram 24.078 unidades, equivalentes a 11,2%.
Em junho, os HEV tiveram 4.507 unidades vendidas, alta de 226% em relação ao mesmo mês de 2025. Já os HEV Flex registraram 3.728 unidades, queda de 4,7% frente a maio, mas crescimento de 323% contra junho do ano passado.
Oferta de modelos também cresceu
A ampliação da oferta ajuda a explicar parte do avanço. Segundo a ABVE, o número de modelos eletrificados leves disponíveis no mercado brasileiro passou de 294 no primeiro semestre de 2025 para 350 no primeiro semestre de 2026.

O maior crescimento ocorreu entre os 100% elétricos. As opções BEV passaram de 152 para 192 modelos, alta de 26%. Entre os híbridos plug-in, a oferta subiu de 101 para 106 modelos.
Os híbridos convencionais avançaram de 37 para 44 opções. Já os HEV Flex dobraram, passando de 4 para 8 modelos no período.
A combinação de mais produtos, maior concorrência e avanço da infraestrutura de recarga tem ajudado a reduzir a resistência de parte dos consumidores em relação aos eletrificados.
Brasil passa de 25 mil eletropostos
A infraestrutura também avançou. De acordo com apuração da ABVE/Tupi Mobilidade, o Brasil tinha 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos em junho de 2026.
O número representa crescimento de 21% sobre a atualização anterior, feita em fevereiro, quando havia 21.061 pontos. Segundo a entidade, os carregadores rápidos em corrente contínua já representam 34% do total.
A expansão da rede é considerada um dos fatores centrais para o crescimento dos veículos plug-in, especialmente BEV e PHEV. Quanto maior a disponibilidade de recarga pública e semipública, menor tende a ser a insegurança do consumidor em relação ao uso cotidiano e viagens.
Micro-híbridos ficam fora da conta
A ABVE também divulgou os dados dos micro-híbridos, mas reforça que esses modelos não entram mais em sua estatística oficial de eletrificados desde janeiro de 2025.
Segundo a entidade, são considerados eletrificados apenas veículos com tração elétrica e baterias mais robustas: BEV, PHEV, HEV e HEV Flex. Os micro-híbridos MHEV de 12V ou 48V não entram nessa classificação porque não têm tração elétrica.

Mesmo fora da conta principal, os MHEV somaram 29.938 unidades no primeiro semestre de 2026, alta de 10% sobre o mesmo período do ano passado.
Sudeste lidera vendas
A região Sudeste concentrou a maior parte dos emplacamentos de eletrificados no primeiro semestre, com 96.159 unidades, ou 44,7% do total. O Nordeste aparece em seguida, com 40.310 unidades e 18,8%.
O Sul teve 38.716 emplacamentos, equivalente a 18%. O Centro-Oeste registrou 30.426 unidades, com 14,2%, enquanto o Norte ficou com 9.411 unidades e 4,4%.
Entre os estados, São Paulo liderou com 61.629 veículos eletrificados vendidos, ou 28,7% do total nacional. Na sequência aparecem Distrito Federal, com 18.131 unidades, Minas Gerais, com 16.341, Paraná, com 14.738, e Rio de Janeiro, com 12.959.
Entre as cidades, São Paulo também ficou na frente, com 22.566 emplacamentos no semestre. Brasília aparece em segundo lugar, com 18.131, seguida por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba.
Com 215 mil unidades em seis meses, recorde mensal em junho e participação já próxima de um quinto do mercado, os eletrificados deixam de ser um nicho pequeno no Brasil. Os dados da ABVE mostram que a categoria ganhou escala e passou a disputar espaço de forma mais consistente dentro do mercado de veículos leves.


