Conheça a história do Fusca, o carro mais famoso da Volkswagen
Volkswagen Fusca anos 60 azul

Conheça a história do Fusca, o carro mais famoso da Volkswagen

A história do Fusca é longa, começando na Alemanha de antes da Segunda Guerra Mundial, mas ninguém imaginava que ele se tornaria um clássico atemporal.

O design clássico arredondado e o motor boxer são velhos conhecidos do mercado automotivo brasileiro. Aliás, o dia nacional do Fusca é comemorado dia 20 de janeiro, tamanha é a relação do modelo com a história automotiva do nosso País.

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E por falar em história, a do Fusca é longa e o carro rodou o mundo com inúmeros nomes. Os alemães chamam de Käfer, os norte-americanos de Beetle e os portugueses de Carocha.

Volkswagen Fusca laranja eurolook história do Fusca

É o modelo único mais produzido da história e conta com seus mais de 60 anos de produção marcados por 21 milhões de unidades. O modelo “teve filhos”, veículos que foram derivados da tecnologia do velho besouro. Entre eles, conhecidos dos consumidores tupiniquins, como Karmann Ghia, Variant e Kombi. No entanto, isso também inclui “crias” de outras marcas do Grupo Volkswagen, como os carros da linha Porsche.

O clássico da Volkswagen tem tantos adeptos que os chineses criaram sua própria versão: o GWM Ballet Cat, um veículo elétrico com o design bastante inspirado no Fusca, para dizer o mínimo. Mas afinal, qual é a história do carro que virou febre no mundo? Você descobrirá nos próximos tópicos! Boa leitura!

O “Carro do Povo”

Fusca na linha de montagem anos 50 Alemanha

A origem do Fusca é um tanto controversa. O projeto começou a ganhar vida ainda nos anos 1930, durante o regime hitlerista. Hitler estava focado em levar a Alemanha um nível de modernidade compatível com as grandes potências mundiais. Por exemplo, com a introdução de tecnologias como o rádio — chamado de “Receptor do Povo”, ou “Volksempgänger”. Nesse, era impossível sintonizar rádios estrangeiras.

A mesma lógica se aplicou à geladeira, chamada de “Refrigerador do Povo”, ou “Volkskühlschrank”. Assim, o regime lançava várias tecnologias rebatizando com um nome que fazia sentido para manter sua política ufanista. O Carro do Povo (Volkswagen, o nome original do Fusca que também batizou a marca alemã) surgiu originalmente com esse pretexto.

O país contava com uma sociedade pouco motorizada e com veículos acessíveis apenas à burguesia alemã. Por isso, Hitler encomendou o projeto ao projetista Ferdinand Porsche. A ideia era criar um carro acessível, barato, que cumprisse algumas exigências curiosas, a exemplo, a capacidade de levar uma metralhadora montada no capô.

A interrupção da produção do Fusca

Para a construção do projeto, Porsche garantiu o respaldo do regime para a criação de uma fábrica moderna. A ideia era diminuir os custos de produção e o governo fundou a cidade que futuramente se chamaria Wolfsburg para esse propósito, servindo como espaço para acomodar os operários. É nela que o regime criou a primeira fábrica da Volkswagen e até hoje é onde fica sua sede.

Ainda assim, o “Carro do Povo” teve dificuldade para atingir seu propósito. Isso porque a sociedade alemã era adepta da bicicleta e o automóvel era visto apenas como um lazer reservado à classe média e aos ricos. As primeiras unidades foram, em sua maioria, para as autoridades do alto escalão do regime hitlerista.

Porém, os esforços de guerra alemães logo interromperam a produção e o Fusca tradicional foi substituído por uma versão militarizada. Similar ao jipe, o novo carro tinha o nome de “Kübelwagen”, ou “carro caixote”. No fim da guerra, a maioria do maquinário da Volkswagen estava intacto e, a partir dele, a empresa alemã foi reconstruída.

A história do Fusca no Brasil

Foi em um regime democrático que o Fusca deu as caras por aqui. Juscelino Kubitschek foi eleito presidente nos anos 1950 e assumiu na esteira do chamado “nacional-desenvolvimentismo” e do ambicioso plano de crescer “50 anos em 5”, incentivando a produção de automóveis com capital privado — normalmente, de origem estrangeira. Assim, as multinacionais se concentraram na região do ABC paulista.

Em 1959, a Volkswagen lançou o primeiro Fusca com montagem no Brasil. JK aproveitou a fama de pai da indústria automobilística brasileira e desfilou a bordo do carro. A concorrência também viria de uma marca europeia, a francesa Simca — que lançaria a linha de luxo Chambord na mesma época.

JK andando no Fusca conversível em 1959

Assim, o clássico da multinacional alemã foi evoluindo ao longo dos anos e se tornou um dos carros mais vendidos do Brasil. Nos anos 1970, por exemplo, ganhou cinto de segurança e começou a passar por testes de impacto. A produção foi interrompida nos anos 1980, já que o carro era considerado obsoleto e a linha de montagem da filial de São Bernardo do Campo precisava ser atualizada.

Fusca na fábrica da VW na Anchieta

A despedida do Fusca no Brasil: hora de dar “tchau”

Essa ainda não foi a despedida do Fusca. Nos anos 1990, o então presidente Itamar Franco fez uma parceria com a Volkswagen para a empresa voltar a produzir o carro. Assim, o pedido foi polêmico, já que não considerava o avanço da indústria.

1973 Volkswagen Beetle (Kafer, Bug) 1303 (Type 1), traseira

Esse ficou conhecido popularmente como “Fusca Itamar”. O clássico ainda passou por atualizações tecnológicas, simbolizadas pelo New Beetle e pelo Fusca A5. A evolução tecnológica foi representativa: o modesto motor experimental do projeto original de Ferdinand Porsche é bem diferente da poderosa engenharia de 211 cv que mais de 60 anos depois foi entregue ao “novo Fusca”.

No entanto, apesar das tentativas de adaptar o veículo aos dias de hoje, o clássico da multinacional alemã precisou dar “tchau” e a história do Fusca chegou ao fim. Isso aconteceu em 2019, com o último modelo sendo vendido aqui mesmo no Brasil. O “Final Edition” foi produzido no México e adquirido por um colecionador.

2012 2019 Volkswagen Beetle história do Fusca

O legado do Fusca

Apesar da origem controversa, o Fusca se tornou exatamente o oposto do que o regime hitlerista representava, sendo um sucesso comercial em países democráticos e que respeitam os Direitos Humanos. Diante disso, teve um papel importante para o acesso ao mundo automotivo em economias emergentes e para a democratização do acesso à mobilidade por quatro rodas.

FUSCA NÚMERO 5.000.000

A própria Alemanha é um exemplo, pintando hoje entre os 15 países mais democráticos do mundo e tendo a chanceler que ocupou o cargo na maior parte do século XXI apontada como a líder do mundo livre. O Grupo Volks ainda é um dos pilares da economia alemã, com um em cada três carros do país sendo da marca.

A Volkswagen também é uma marca de prestígio no Brasil e está por aqui há mais de 60 anos. Assim, a história do Fusca tem seus altos e baixos e dá algumas pistas do porquê o carro é tão querido por aqui.

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7 Comments

  1. Cicero

    Acabei de comprar um Fusca 1974, cor beje, aparentemente de bom estado de conservação. A minha idéia é guardá-lo de lembrança, pelos muitos fuscas que já tive.

  2. JOSÉ CARLOS

    TENHO 4 FUSCA QUARDADO,TDS FORAM DE FUNCIONARIOS DA FABRICA,DEIXO PARA OS NETOS BIS,ETC.

  3. EDSON TOCANTINS DE ARRUDA

    sempre gostei do fusca

  4. EDSON TOCANTINS DE ARRUDA

    fusca é o meu carro. Tenho um

  5. Priscila

    Sou uma das pessoas apaixonada por fusca, não tenho mas digo admirada qd passa um na rua, e gosto da versão antiga mesmo, sei que um dia terei um, com fé em Deus.

  6. TOM GOUVEIA

    tenho um 79/80, que foi do meu pai e estou restaurando pois passei infância, adolescência, juventude nele…

  7. Paulo eduardo nogueira de carvalho

    Tenho 75 anos. Aprendi dirigir em um fusca 1955, qdo eu tinha 15 anos. Ao longo do tempo tive vários começando com um 1963.
    Hoje tenho um ano 1961. Faz sucesso por onde passa. Muitas alegrias, que o tempo não apaga

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