Estudo da Deloitte mostra que 37% citam infraestrutura como preocupação e 67% dos interessados em recarga doméstica não têm carregador
A infraestrutura de recarga ainda é um dos principais obstáculos para a compra de veículos elétricos no Brasil, segundo a edição de 2026 do Global Automotive Consumer Study, da Deloitte. O levantamento ouviu mais de 28 mil consumidores em 27 países, sendo 1.000 entrevistados no mercado brasileiro.
De acordo com o estudo, 37% dos brasileiros apontam a disponibilidade de pontos de recarga como preocupação na escolha de um veículo elétrico. O dado aparece em um cenário de avanço dos eletrificados no país, mas também de dúvidas sobre autonomia, tempo de carregamento e custo de substituição da bateria.
A pesquisa também mostra que 67% dos brasileiros que gostariam de recarregar o veículo em casa não têm acesso a um carregador privado. Na média global, esse índice é de 48%.
Gasolina e diesel ainda lideram intenção de compra
Apesar do interesse crescente por veículos híbridos e elétricos, os carros movidos a combustíveis fósseis ainda aparecem como primeira opção para a próxima compra.
No Brasil, 51% dos entrevistados disseram que pretendem comprar um veículo a gasolina ou diesel. O percentual fica próximo da média global, de 50%.
Os híbridos aparecem em segundo lugar na preferência dos brasileiros, com 21%. No resto do mundo, a intenção de compra desse tipo de veículo é de 18%, segundo a Deloitte.
O estudo cita dados da Fenabrave, segundo os quais o mercado automotivo brasileiro cresceu 2,58% em 2025, enquanto os emplacamentos de veículos híbridos e elétricos subiram quase 40% no mesmo período.
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Qualidade pesa mais que preço
Na hora de trocar de carro, os consumidores brasileiros apontam qualidade e desempenho como os fatores mais valorizados. A qualidade foi citada por 65% dos entrevistados, enquanto o desempenho apareceu com 56%.
O preço ficou em terceiro lugar, mencionado por 44% dos brasileiros. Segundo a Deloitte, o resultado indica um consumidor mais atento ao conjunto do produto e menos preso apenas ao valor inicial de compra.
O levantamento também mostra menor fidelidade a marcas no Brasil. Entre os entrevistados, 53% afirmaram que o carro anterior era de outra fabricante, ante 47% na média global.
Além disso, 52% dos consumidores brasileiros disseram não se importar com a marca, desde que o veículo atenda às suas necessidades. No cenário global, esse índice é de 43%.
Redes sociais influenciam compra
As redes sociais e avaliações de influenciadores digitais aparecem como a segunda principal fonte de informação para brasileiros que pretendem comprar um veículo novo.
No Brasil, 44% dos entrevistados citaram esse tipo de conteúdo como fonte relevante na decisão. O índice só fica atrás da visita à concessionária, mencionada por 58%.
Na média global, as redes sociais aparecem apenas na quinta posição, com 33%. Fora do Brasil, ganham mais peso as visitas presenciais, os sites das fabricantes, as concessionárias e os portais de notícias automotivas.
Brasileiro aceita pagar por rastreamento
O estudo também aponta maior disposição do consumidor brasileiro a pagar por serviços conectados de segurança e monitoramento.
Segundo a Deloitte, 85% dos brasileiros aceitariam pagar um valor extra por rastreamento antifurto. Na média global, o índice é de 70%.
A assistência emergencial também aparece entre os serviços mais valorizados. No Brasil, 81% dos entrevistados pagariam por esse tipo de recurso, ante 69% no mundo.
Ao mesmo tempo, há preocupação com dados pessoais. Localização, dispositivos conectados e câmeras internas foram citados por 60% dos brasileiros como pontos sensíveis no compartilhamento de informações.
Carro vira plataforma digital
A percepção de utilidade dos veículos definidos por software é maior no Brasil do que na média global. Segundo o estudo, 64% dos brasileiros veem valor nesse tipo de tecnologia, contra 54% no recorte mundial.
Os consumidores nacionais também demonstram maior abertura ao uso de recursos personalizados por inteligência artificial. Entre os brasileiros, 68% dizem ser muito provável usar funções como ajuste de climatização e regulagem dos bancos por IA. No mundo, o índice é de 55%.
A pesquisa mostra ainda que 76% dos brasileiros consideram o ecossistema digital do veículo tão importante quanto, ou mais importante que, o do smartphone.
O levantamento foi realizado entre outubro e novembro de 2025, com questionário online aplicado a consumidores maiores de 18 anos. No Brasil, a amostra foi composta por 48% de homens e 52% de mulheres.


