Presidente afirma em Anápolis que chegada das montadoras chinesas ao Brasil fez a indústria automotiva reagir e voltar a anunciar investimentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em Anápolis (GO), que a chegada das montadoras chinesas ao Brasil ajudou a provocar uma reação na indústria automotiva instalada no país. Durante a cerimônia de inauguração da nova fase industrial da CAOA Changan, Lula disse que o movimento recente de investimentos no setor veio depois de um período prolongado de retração e falta de novos projetos.
“Uma demonstração de que precisou de um susto para que a indústria brasileira acordasse”, afirmou o presidente, ao comentar o avanço das fabricantes chinesas e o efeito disso sobre outras montadoras que atuam no mercado brasileiro.
Na fala, Lula relacionou esse novo momento ao anúncio de aportes recentes no setor automotivo. Segundo ele, depois da entrada das empresas chinesas no país, grupos já estabelecidos voltaram a procurar o governo e anunciaram novos investimentos para os próximos anos.
O presidente também usou o evento para comparar o nível atual de atividade da indústria com o cenário encontrado no fim de seu segundo mandato. Segundo Lula, no fim de 2010 e início de 2011 o Brasil produzia e importava 3,6 milhões de veículos por ano. Ao voltar à Presidência, afirmou, esse volume havia caído para 1,6 milhão.
“Quando eu voltei para a presidência, 15 anos depois, esse país só produzia 1 milhão e 600 mil carros por ano. Ou seja, 15 anos depois, o Brasil produzia menos da metade do que ele produzia em 2010”, disse.
Lula critica período anterior e associa retomada ao investimento industrial
No discurso, o presidente também fez críticas ao período anterior, dizendo que o país passou anos sem novos investimentos relevantes em modelos de carros. Segundo ele, a indústria automobilística vinha há muito tempo sem apresentar uma renovação mais consistente.
“Foi quase que sete anos de obscuridade nesse país”, afirmou, ao dizer que a economia perdeu dinamismo enquanto o debate público era dominado por desinformação e conflito político.
Lula voltou a defender a política de reindustrialização e usou o anúncio da CAOA Changan como exemplo de confiança no ambiente econômico. No evento, ele citou os investimentos já realizados e o novo ciclo anunciado pela empresa em Goiás.
“Quando eu vejo a Caoa Changan anunciar que já investiu 3 bilhões a partir de 2003 e que vai investir mais 5 bilhões até 2028, eu só posso acreditar que tanto os chineses quanto os meninos brasileiros acreditam fielmente naquilo que a gente fala para o Brasil dar certo”, declarou.
Presidente diz que cenário econômico favorece nova fase
Ao defender a retomada industrial, Lula afirmou que o país vive um momento mais favorável para a atividade econômica. Segundo ele, o Brasil registra menor desemprego, aumento do emprego formal, crescimento da massa salarial e inflação mais baixa no acumulado recente.
Na avaliação do presidente, esse conjunto ajuda a sustentar a nova rodada de investimentos e reforça a perspectiva de expansão do setor automotivo.
A fala de Lula ocorreu durante a cerimônia que marcou a nova etapa da operação da CAOA Changan em Anápolis. Embora o evento também tenha servido para apresentar a produção local do UNI-T, o discurso do presidente concentrou o foco político da cerimônia ao ligar a chegada das montadoras chinesas a uma mudança de comportamento da indústria automobilística no Brasil.

